2017 foi já um grande ano, este será, seguramente, ainda melhor. O mercado de investimento em imobiliário comercial está muito ativo e deverá bater um novo recorde em 2018. Além do investimento nacional estar a crescer, é esperada também a entrada de novos players e a procura de produtos alternativos.



As perspetivas não podiam ser melhores no que diz respeito ao investimento em imobiliário comercial. Em 2018, prevê-se um novo recorde, que deverá atingir os 2,6 mil milhões de euros. Este ano, deverá registar-se a entrada de novos players no mercado nacional e é esperada a procura de produtos alternativos, tais como residências de estudantes, residências seniores e unidades de saúde. Além disto, a promoção imobiliária vai começar a ganhar escala.

Estas previsões têm por base a realização de vários negócios de elevado montante já em curso, entre eles centros comerciais de grande dimensão — alguns já vendidos no início de 2018 — e portefólios de escritórios e residenciais. Mas este número poderá ser ainda superior caso se concretize alguma operação de Fusões & Aquisições, tal como se verificou em 2017. No ano passado, o mercado de investimento em imobiliário comercial já tinha ultrapassado o recorde registado em 2015, totalizando os 2,2 mil milhões de euros. Um resultado que se ficou a dever em parte às transações de aquisição das empresas Logicor e Empark por parte de fundos institucionais, que representaram 20% do volume total. De acordo com o estudo da CBRE Portugal – Perspetiva Imobiliária, em 2017 registou-se uma subida do investimento nacional com uma quota de 24% — mais do dobro da verificada em 2016 — e europeu (excluindo Portugal), com 37% do total de investimento, assim como a entrada de um maior número de novos players internacionais. Aliás, esta é uma tendência que se deverá continuar a verificar em 2018, uma vez que a limitada oferta nos mercados mais core tem vindo a conduzir os investidores para mercados mais periféricos como o nosso.

Em termos setoriais, além de estar previsto um elevado investimento em centros comerciais e escritórios, este ano, e à semelhança do que se verificou no ano passado, é estimada uma maior procura de unidades hoteleiras em funcionamento ou terrenos para construir. Já na área da logística deverá verificar-se uma redução do investimento relativamente ao ano anterior devido, sobretudo, à falta de produto disponível.

Por outro lado, a escassez de produto típico de rendimento e a reduzida rentabilidade nos produtos imobiliários tradicionais estão a conduzir ao interesse por produtos alternativos, nomeadamente ao investimento em residências de estudantes, residências de terceira idade e unidades de saúde.

Este ano deverá continuar a verificar-se a compra de imóveis para reabilitação por parte de investidores institucionais estrangeiros e a sua entrada em projetos construídos de raiz para escritórios ou habitação. Por outro lado, é esperado que estes investidores comecem também a apostar em produto residencial de rendimento.

 

Boas perspetivas para o financiamento bancário

Num mercado global inundado por liquidez de capital, torna-se elevada a concorrência dentro do sector bancário para o financiamento de transações imobiliárias e a pressão sobre as margens tende a acentuar-se. Em 2017 as grandes operações de financiamento imobiliário realizadas em Portugal foram lideradas por bancos estrangeiros, mas em 2018 a CBRE prevê um aumento das transações com a participação de bancos nacionais, na medida em que começam a ver resolvidos os seus problemas de solvabilidade. No entanto vamos continuar a observar a venda por parte dos bancos nacionais de carteiras de crédito não produtivo (“NPL”) e de imóveis que foram parar aos seus balanços (“REO”).