A cidade do Porto está cada vez mais no radar do investimento estrangeiro. É uma cidade que tem conseguido atrair tanto startups como grandes multinacionais, nomeadamente tecnológicas. São muitas as vantagens que a Invicta reúne, conseguindo competir, de igual para igual, com outras cidades europeias.

   
 

Rui Moreira

Presidente da Câmara Municipal do Porto

 

Poderá dizer-se que o Porto é já uma cidade 4.0?

O conceito é, ainda, vago. Mas podemos dizer que os investimentos feitos e em curso, em matéria de sustentabilidade e com a utilização de novas tecnologias, nos tem colocado na linha da frente entre cidades europeias de média dimensão.

 

O  Porto está a conseguir atrair gigantes tecnológicos e, simultaneamente, o mercado de startups tecnológicas, em detrimento de outras cidades europeias. O que é que o Porto tem feito para isso acontecer?

Temos vindo a fazer um trabalho intenso de promoção da marca da cidade. Temos um gabinete de apoio aos investidores, uma política de desburocratização e um networking permanente com os vários atores da cidade, desde a academia até aos agentes económicos.

 

Poderá dizer-se que o Porto se soube reinventar depois da crise financeira que atingiu o país entre 2010 e 2014?

Creio que sim, que vencemos essa aposta. Nós, os cidadãos! O custo de vida atrativo, o bom tempo, a comida, mas também a segurança são também fatores determinantes para essa escolha…. Sim, é uma cidade confortável e interessante. É esse o nosso ativo.

 

Que papel tem tido o InvestPorto na atração de empresas tecnológicas?

O InvestPorto é o instrumento ativo de uma política integrada do município. É o nosso front desk.

 

Há dados/números sobre este assunto?

Temos vindo a divulgar alguns números, mas preferimos agir com discrição. É isso que os investidores nos pedem. O Porto tem sido distinguido com inúmeros prémios, nos últimos anos. Em 2017, foi distinguido com o prémio Melhor Destino Europeu.

 

De que forma é que esta distinção veio impulsionar ainda mais os projetos de inovação e empreendedorismo levados a cabo pela Câmara Municipal do

Porto?

Ajudou a consolidar a nossa marca. E deu-nos visibilidade de forma gratuita.

 

O programa Golden Visa ajudou a atrair mais investimento para a cidade?

Não creio que tenha tido grande impacto. Não foi um objetivo nosso. É um instrumento apenas para alguns.




O Natixis, o BNP Paribas, a Devexperts, a Euronext e a Vestas são algumas das grandes empresas que elegeram o Porto para os seus escritórios. A Invicta tem ganho terreno a outras cidades da Europa por diversas razões. Entre elas, destaca-se o facto de ter capital humano qualificado, oferta de talento, cooperação a nível tecnológico e incentivos ao investimento. Por outro lado, as universidades têm sabido criar sinergias com as empresas, sendo o Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC) um dos grandes exemplos disso mesmo. Ao apostar na atração de investimento direto estrangeiro, a cidade do Porto, além de prestígio, arrecada knowhow e centenas de postos de trabalho.

O Natixis, divisão da banca empresarial do Grupo BPCE – Banque Populaire & Caisse d’Epargne, instalou-se num escritório de cerca de 12.000 m2 no Porto. O BNP Paribas, vai ocupar um edifício em construção – Urbbo – com mais de 13.000 m2. E também a multinacional alemã Devexperts, que presta serviços de software para empresas do setor financeiro, escolheu a cidade do Porto para instalar um centro de investigação e desenvolvimento, em detrimento da República Checa e Hungria. Há pouco mais de um ano, o maior grupo de mercados bolsistas, a Euronext, optou por sair de Belfast, na Irlanda do Norte, para se instalar, também, na Avenida da Boavista.  A criação do Euronext Tech Center Porto permitiu a criação de 140 postos de trabalho, tornando Portugal no segundo país europeu com maior número de colaboradores, logo a seguir a França.

No final de 2017, a dinamarquesa Vestas, empresa especializadaem aerogeradores para parques eólicos, escolheu o Porto para instalar um centro de investigação e desenvolvimento de base tecnológica, entre 99 cidades candidatas.

A Vestas está localizada no Centro Empresarial Lionesa, num espaço de cerca de 800 m2, e tem atualmente em construção um edifício de cerca de 3.000 m2 neste mesmo local, que será a sua sede. Mas há mais exemplos de empresas que elegeram a cidade do Porto para criar e desenvolver os seus negócios. A Farfetch é um caso paradigmático. A primeira startup “unicórnio” criada por um empresário português em 2008, que desenvolveu um website que permite aos utilizadores comprar roupa e acessórios de luxo de mais de 300 lojas multimarca de todo o mundo. A empresa tem escritórios em Londres, Los Angeles, Nova Iorque, São Paulo, Tóquio, Guimarães, Lisboa e, claro, no Porto.

Também a norte-americana, Sitel,um dos maiores fornecedores mundiais de serviços de gestão de apoio ao cliente e líder de mercado no setor dos centros de contacto, está presente no Porto, e presta serviços de outsourcing a grandes marcas internacionais.




Mercado imobiliário no Porto cresce exponencialmente

O mercado imobiliário no Porto tem crescido de forma exponencial nos últimos anos. O crescimento do turismo, impulsionado pela vinda das companhias aéreas lowcost Ryanair, em 2005, e EasyJet, em 2015, conduziu a um crescimento no número de turistas. A informação do tráfego de passageiros desembarcados no Aeroporto Sá Carneiro revela um aumento de 15% só no ano de 2017, em relação ao período homólogo. Em 2017 abriram 6 novos hotéis no Porto oferecendo mais 392 quartos na cidade.

Além da área hoteleira, a cidade do Porto tem registado um crescimento muito relevante também nos restantes setores imobiliários. Dinâmico está também o comércio de rua no centro histórico da Invicta, alavancado pelo turismo, pela renovação de vários imóveis e pela abertura de diversas novas lojas.

No mercado de escritórios, o dinamismo começou em 2015, com a transação de áreas de grande dimensão (1.000 m2 e superior), ao contrário da procura tradicional de áreas entre 100 e 200 m2. No entanto, foi no ano seguinte que o mercado teve um grande impulso, com o volume de absorção a duplicar o de 2015, atingindo um valor recorde de 49.000 m2, impulsionado pela ocupação da Natixis. Aliás, são cada vez mais as empresas estrangeiras que procuram escritórios no Porto para abrirem áreas de serviços partilhados. Contudo, neste momento, a dinâmica neste setor está condicionada pela escassez de escritórios de qualidade. No que diz respeito ao mercado de investimento em imobiliário comercial, tem-se assistido a algumas transações no Porto e existem já outras em fase de negociação.

É de destacar ainda a compra de grandes lotes de terreno para promoção e de imóveis para reabilitar, por parte de investidores estrangeiros, pelo que é previsível o arranque de novos projetos.