A disrupção passou a ser a normalidade. A tecnologia está a acelerar esta mudança, a um ritmo exponencial e 2030 está já aqui à porta. O retalho está a sofrer uma revolução – como, onde e quando comprar vai ser uma experiência completamente diferente. A CBRE levanta a ponta do véu das tendências de consumo que vão marcar a próxima década no mais recente estudo The Future of Retail 2030. Martin Summerscales, Director, Retail, CBRE, Reino Unido, ajuda-nos a descodificar estas tendências e revela como o mercado do retalho já está a adaptar-se à mudança.

 

O big data é fundamental para compreender as necessidades dos consumidores. Como comenta?

Estamos a assistir a um aumento do número de retalhistas que usam o big data para saberem mais acerca dos consumidores. Por exemplo, Missguided, um retalhista britânico, utiliza a informação do nível de interações do seu site para saber que quantidade de roupa precisa de produzir. Esta é uma forma de garantir que só produz o número de peças de roupa que irá vender, mantendo as margens de lucro tão elevadas quanto possível.

Será a customização uma das palavras-chave no futuro do retalho?

Penso que sim. Prevê-se que, no futuro, cada produto seja adaptado às necessidades dos clientes – talvez não o produto todo, mas vai ser, sem dúvida, mais comum que algumas partes do produto possam ser personalizadas por cada cliente.

 

De que forma é que a CBRE está a antecipar estas tendências?

Através da construção de relações sólidas com os seus clientes retalhistas, de forma a compreender o seu negócio e de que forma estão a inovar neste mundo repleto de dados. Nós também investimos muito em pesquisas e análises, de forma a garantir que oferecemos aos nossos clientes uma visão líder de mercado. O Calibrate, a nossa tecnologia exclusiva, utiliza os dados do GPS dos telemóveis para compreender os movimentos e perfil dos consumidores, permitindo aos nossos clientes perceberem se uma determinada localização é adequada. O estudo The Future of Retail 2030 é outro exemplo fantástico desta antecipação de tendências.

 

Como é o consumidor hoje?

Graças, em parte, à Internet, os consumidores têm agora mais escolha do que alguma vez tiveram e isto significa que têm cada vez mais poder sobre os retalhistas, que têm que competir pela sua própria clientela. Neste momento, os consumidores exigem constantemente melhores preços, entregas mais rápidas e devoluções mais simples. Há dez anos, quando encomendávamos um produto, a entrega demorava cinco dias. Agora as pessoas esperam que as encomendas cheguem no dia seguinte. Os retalhistas têm de se adaptar às exigências dos consumidores para conseguirem competir, o que eleva as expetativas dos consumidores face à oferta.

 

Como é o retalho hoje?

O lazer está a ganhar uma importância crescente, em particular no Reino unido. À medida que há cada vez mais compras online, é também cada vez mais importante que os Centros Comerciais ofereçam algo que os diferencie do retalho existente na Internet. As pessoas estão cada vez mais à procura de experiências. Uma forma de fazer, isto é, através da oferta de mais opções de restaurantes, lazer e serviços e, por essa razão, esperamos que a quantidade de centros comerciais dedicados ao retalho seja menor no futuro. Assim, o retalho deixará de ser puramente baseado nas transações, mas sim em toda a experiência de compra.