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Inteligência artificial está a redefinir o conceito de ativos industriais prime

Duarte Cardoso Ferreira, Head of Strategic Advisory da CBRE, integra o relatório da WiredScore sobre o impacto da IA no setor logístico e industrial

junho 24, 2026

wiredscore

A Inteligência Artificial (IA) está a transformar de forma estrutural o setor industrial e logístico, acelerando a evolução dos requisitos dos ocupantes e redefinindo o conceito de ativos “prime”. Esta é uma das principais conclusões do relatório “The warehouse AI will leave behind”, da WiredScore, que conta com o contributo de Duarte Cardoso Ferreira, Head of Strategic Advisory da CBRE.

De acordo com o estudo, a crescente adoção de tecnologias como a robótica, automação e computação avançada está a alterar rapidamente as necessidades operacionais das empresas, criando uma nova exigência ao nível das infraestruturas dos ativos logísticos.

Um novo paradigma para os ativos industriais

A definição de um ativo industrial “prime” encontra-se em clara transformação. O que era considerado um padrão de excelência há cinco anos pode já não responder às exigências atuais do mercado.

Hoje, fatores como conectividade, infraestrutura digital, resiliência tecnológica e capacidade de recolha e análise de dados tornam-se tão determinantes como critérios tradicionais, como a localização ou a energia.

O relatório, que reúne dados de análises como o European Real Estate Market Outlook 2026, European Logistics: From Obsolescence to Opportunity (CBRE, 2025) e o European Logistics Occupier Survey (CBRE, 2025), conclui, assim, que a Inteligência Artificial está a ampliar o fosso entre ativos preparados para o futuro e aqueles em risco de obsolescência.

Num contexto em que a eficiência operacional depende cada vez mais de sistemas digitais integrados, a infraestrutura tecnológica deixa de ser um diferenciador para se tornar um requisito base.

Duarte Cardoso Ferreira sublinha esta mudança estrutural:

“A Inteligência Artificial está a acelerar uma mudança estrutural no setor industrial e logístico, onde a infraestrutura digital se tem tornado tão fundamental como a localização ou a energia.

Os dados apresentados no relatório demonstram não só o crescimento da procura, como também o aumento do gap entre os requisitos dos ocupantes e a oferta existente. A conectividade, a resiliência e o acesso a dados operacionais fiáveis deixaram de ser opcionais — são determinantes para o desempenho dos ativos e para a retenção de inquilinos.

Os promotores e proprietários que adotarem desde já uma abordagem centrada na tecnologia serão os responsáveis por definir os ativos prime do futuro, enquanto os restantes enfrentam um risco crescente de obsolescência.”

Preparar os ativos para o futuro

Perante este cenário, o setor enfrenta um desafio claro: desenvolver e gerir ativos industriais e logísticos capazes de responder às crescentes exigências de conectividade, flexibilidade e integração tecnológica.

Mais do que acompanhar tendências, trata-se de antecipar necessidades e garantir que os ativos se mantêm competitivos num mercado em rápida evolução.