Artigo

Porto Property Pace: principais conclusões

O Porto regista um crescimento económico e turístico significativo, acompanhado por transformações demográficas, embora a expansão do seu espaço urbano permaneça limitada. Esta limitação cria uma pressão crescente sobre habitação, comércio e serviços, originando desafios que afetam todos os setores do mercado imobiliário.

outubro 30, 2025

Porto Property Pace

Principais conclusões da equipa de Research

“O Porto, no setor residencial, enfrenta uma situação paradoxal: apesar de um stock elevado de imóveis vagos, os preços continuam a subir. A cidade perde população pelo saldo natural, mas ganha pela via migratória, o que altera a procura habitacional e pressiona o mercado no curto prazo. Além disso, os agregados familiares diminuíram de tamanho ao longo das últimas décadas, o que, tendo em conta um parque habitacional com casas desproporcionalmente grandes face às necessidades atuais, traz desconexão entre a oferta disponível e a procura existente. Um reflexo deste padrão, é a diferença da velocidade de absorção entre as casas maiores e mais pequenas”

Segundo José Maria Moutinho, Diretor de Research da CBRE Portugal

Relativamente aos setores de escritórios e logística é notória a baixa disponibilidade de espaços, quando comparando o Porto com qualquer outra cidade europeia. Combinada com a procura crescente, a escassez de oferta conduz a um aumento sustentado das rendas prime que observámos nos últimos anos. 

O turismo é outro vetor de crescimento relevante, com o número de hóspedes a multiplicar-se quase por cinco, desde o início do milénio até 2024. A elevada concentração de turistas nas zonas centrais tem impacto direto no valor dos ativos de hotelaria e no comércio de rua, reforçando a motivação para incluir outros atrativos ao pacote turístico do Porto, atrativos esses que sejam capazes de alongar a experiência de city break e de diluir a carga de hóspedes por outras zonas adjacentes – e esses atrativos existem no Douro.

“Toda esta dinâmica no mesmo espaço está sintetizada numa palavra só: «escassez», que é comum a todos os setores de imobiliário. Mas em paralelo à escassez, surge a oportunidade. E a oportunidade materializa-se de maneira diferente, em setores diferentes e em zonas diferentes”

Algumas das conclusões sectoriais:

No seguimento da apresentação destes dados, Rui Moreira, Diretor da CBRE Portugal no Porto, em conjunto com especialistas da CBRE nos setores de escritórios, industrial e logística, retalho e turismo, realçou “o potencial que faz do Porto e do Norte uma região de oportunidades crescentes, e por que razão, esta região, está no radar de tantos investidores”.

No mercado de escritórios, a principal característica de 2025 tem sido a oferta limitada, destacando-se a escassez de espaços de Classe A no CBD, o que tem impulsionado a reabilitação de edifícios e o desenvolvimento de novas zonas como Vila Nova de Gaia e ZEP. Esta escassez resulta numa previsão de take-up de 40 mil metros quadrados, representando uma queda de 20% face à média dos últimos cinco anos. Paralelamente, observa-se uma subida das rendas prime de 20 para 21 euros por metro quadrado.

No setor de escritórios, 2025 marcou também o regresso significativo do apetite dos investidores. O Porto representa atualmente 25% do volume de investimento em escritórios em Portugal, comparativamente a uma média histórica de 5% na última década, ou seja, cinco vezes mais peso do que a média. Os investidores procuram produtos de qualidade, com capex elevado, certificações ESG e capacidade de atrair inquilinos de topo, criando condições para transações estratégicas e valorização futura.

No turismo, o Porto mantém uma trajetória positiva, com destaque para a procura internacional, que atualmente representa 85% do total. O crescimento é particularmente acentuado nos mercados norte-americanos, incluindo Estados Unidos e Canadá, que registaram cerca de 25% de crescimento ao longo da última década.

O setor hoteleiro acompanha este dinamismo, evidenciando um equilíbrio interessante entre reabilitação e nova construção. Observa-se uma forte procura na zona dos Aliados, acompanhada por uma diversificação geográfica da oferta.

Em termos de oferta hoteleira, o número de quartos aumentou de 10 mil em 2019 para 14 mil em 2024, com impacto de estabilização da ocupação. No entanto, face ao aumento da procura e à qualificação e diversificação da oferta que a serve, registaram-se subidas de preços no Porto, patente nas subidas de várias métricas como o ADR e RevPAR. Neste ponto salientam-se a emergência de projetos inovadores que combinam diferentes tipologias, como hotelaria tradicional, residência estudantil, co-living e co-working, aumentando a resiliência dos ativos e também do Porto como destino turístico.

Relativamente ao setor do retalho, observa-se uma trajetória ascendente no comércio de rua, com rendas em ascensão e escassez de espaços devido à baixa rotação de inquilinos – uma tendência que se estende a outras cidades do Norte, como Braga. Paralelamente, os retail parks também vivem um período de expansão, aproveitando a procura por formatos acessíveis, convenientes e funcionais.

No setor industrial e logístico, a região Norte enfrenta uma carência de produto, com taxas de ocupação elevadas e rendas em valorização expressiva. A expansão ocorre em zonas periféricas qualificadas, também com oportunidades de requalificação de ativos em localizações prime e desenvolvimento de projetos built-to-suit, ajustados às necessidades específicas dos ocupantes.

Rui Moreira salienta que o Porto se tem afirmado como um mercado relevante para transações de produto acabado, mantendo uma posição de destaque face a Lisboa em operações de alto valor.

“Todos os setores apresentam um forte apetite por parte dos investidores, em particular o capital estrangeiro, que tem demonstrado grande interesse em escritórios de Classe A e no setor de logística, sustentado por fundamentos operacionais sólidos e elevada taxa de ocupação. O living e o retalho também estão em alta, e nestes setores assistimos pela primeira vez a investidores internacionais a escolherem o Porto e o Norte como porta de entrada em Portugal”.

Insights relacionados