Relatório
Portugal consolida-se como um dos focos de investimento hoteleiro na Europa
O setor hoteleiro mantém o interesse do capital em 2026, com Portugal como um dos mercados prioritários num contexto global de elevada incerteza.
junho 1, 2026
O interesse dos investidores pelo setor hoteleiro na Europa mantém-se sólido em 2026, mesmo num contexto global marcado pela incerteza macroeconómica e geopolítica. Assim o demonstra o mais recente European Hotel Investor Intentions Survey, elaborado pela CBRE, que confirma uma tendência que tem vindo a consolidar-se: o setor hoteleiro afirma-se cada vez mais como um ativo estrutural nas carteiras imobiliárias. Mais de 90% dos investidores prevê manter ou aumentar a sua exposição a este segmento, impulsionados por perspetivas de retorno mais otimistas e pela resiliência do setor face a outros ativos imobiliários.
Neste contexto, o sul da Europa volta a destacar-se no radar dos investidores, com a Península Ibérica como uma das grandes protagonistas.
Portugal e Espanha, destinos prioritários para investimento
Portugal ocupa a 4ª posição do ranking europeu dos mercados mais relevantes para o investimento hoteleiro, reforçando o seu posicionamento estratégico e contribuindo para que a região ibérica, a par com Itália, concentre mais de 40% das intenções totais de investimento. Este desempenho evidencia o crescente destaque do sul da Europa como destino preferencial dos investidores, com Espanha, Itália e o Reino Unido a liderarem o ranking. A atratividade da região é sustentada pela robustez da procura turística, desempenho operacional positivo e diversidade de destinos, que combinam cidades gateway com localizações de lazer consolidadas.
A nível urbano, destaca-se Lisboa como uma das principais cidades europeias para investimento hoteleiro, ocupando a 6ª posição no ranking. Este desempenho reflete o crescente interesse dos investidores por destinos urbanos com forte procura turística e empresarial, bem como por mercados com oferta limitada e potencial de valorização.
Criação de valor e foco estratégico
O interesse dos investidores orienta-se sobretudo para estratégias de criação de valor. O value-add continua a ser a opção predominante, representando mais de metade das respostas, embora a abordagem oportunista esteja a ganhar peso, refletindo uma maior disposição para aproveitar oportunidades num contexto mais complexo.
No que diz respeito ao produto, o segmento de luxo continua a liderar as preferências dos investidores (53%), ainda que se verifique um crescimento do interesse por formatos mais resilientes em termos operacionais, como o extended stay ou os modelos all-inclusive, especialmente em mercados turísticos do sul da Europa.
Um ativo estrutural nas carteiras
Apesar do aumento dos custos operacionais e da incerteza geopolítica global, o setor hoteleiro afirma‑se como um ativo com um atrativo cada vez mais estrutural. Os investidores destacam como benefício a capacidade de gerar rentabilidades ajustadas ao risco e o alinhamento com tendências de procura de longo prazo, como o turismo experiencial.
Este posicionamento reflete‑se também no comportamento dos preços: o setor hoteleiro posiciona‑se entre os mais resilientes do real estate europeu, com a maioria dos investidores a não prever aplicar descontos significativos nas avaliações.
Início de ano e perspetivas positivas de um crescimento sustentado
Nos primeiros quatro meses de 2026, o volume de investimento já superou o total registado em todo o ano de 2025. Estes resultados antecipam um pipeline robusto de transações nos próximos meses e evidenciam a solidez com que Portugal entrará neste novo ciclo. Sustentado pela força da procura e pelo elevado potencial de criação de valor, o país afirma‑se como um mercado-chave no panorama hoteleiro europeu.
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